Trechos da leitura que re.faço agora, do livro Arquivo Contemporâneo, organizado por Felipe Scovino. Parte 2.
"Acho que no fundo todo artista, o tempo todo, acorda a cada dia em busca do novo. De ir além. De alguma maneira ampliar a experiência que ele procurou condensar em trabalhos. A condição é produzir novos trabalhos que vão de alguma maneira tornando mais real esses sonhos diários, que são sinônimos de vida. Agora, não tenho a menor ideia de como isso pode ocorrer e não tenho nem certeza quando ocorrerá, mas espero sinceramente que o novo tenha seu lugar." Cildo Meireles, p. 128.
"E, curiosamente, escrevi um texto em 1986 que dizia que 'o vazio é o cheio e o cheio é o vazio', porque quando um objeto ocupa um espaço, este lugar onde está o objeto está vazio de espaço. Quando você retira esse objeto, ele se enche de espaço novamente." Ernesto Neto, p. 166
"Vejo até que existe uma exigência de que a arte deva se responsabilizar por dar sentido a este estado trágico, ou que, geopoliticamente, fôssemos obrigados a ter uma visão única de cada realidade. Sinceramente acho que o artista deve manter pelo menos um dedo na inocência para ter a possibilidade de transcender a realidade, injetando doses de fantasia. Sinto como se hoje necessitássemos de uma dose cavalar de fantasia para suportar, sublimar e transformar a realidade." Ernesto Neto, p. 168.
"Quando você está fora do contrato social e da objetividade do mundo, a única coisa que sobra é a sua subjetividade. E não existe nada mais subjetivo que o corpo." Ernesto Neto, p. 172.