passado: o que passa é o sentido

 

Do mesmo modo experimentamos o tempo: o passado não é um momento que deixamos para trás, mas uma configuração perdida do sentido, excluída, pois vertida e vazada no presente, passada nele, e apenas existente nas dobras desta nova evidência, nos traços de uma outra configuração. E o futuro não é algo positivo que se tem pela frente, mas já se delineia no horizonte do presente - nas frestas abertas de sua indeterminação -, como outro possível deste mesmo mundo. A temporalidade, pois, sempre a encontramos nas linhas do presente, no devir constitutivo de seu próprio sentido.


trecho do texto "o olhar do viajante (do etnólogo)", de sérgio cardoso, no livro "o olhar", p. 357. 

fotografia: gaivota nostálgica de south bank, 4/1/11




Local: London, UK