Ontem fui para o ateliê de gravura da universidade e passei a manhã toda granitando uma única pedra. Depois do almoço, peguei uma carona com o Zé (meu orientador) e desci no centrinho do São Judas (bairro onde moro). Fui pegar meu vídeo-cassete, o qual mandei limpar por 35 pilas. Só que a biboca estava fechada... parece que aqui as pessoas fecham para o almoço. Então, resolvi fazer uma horinha naquele sol escaldante das 13 horas do dia 13.
O calor estava demais, dei uma volta e avistei um salão. Um oásis: um bom lugar para esfriar a cabeça e, de quebra, tirar as pontas do cabelo. O salão era grande, cheguei à porta e não vi ninguém lá dentro:
- Fala, bem, quer cortar o cabelo? - disse a bela morena estilo Roberta Close que tomava uma caracu na mesinha do bar ao lado. Ela estava acompanhada de um homem. Aquele silêncio ensolarado de uma hora da tarde me fez pensar no Velho Oeste que só conheci no cinema.
Entrei. Sentei. Lavou, esfregou muuuuitoooo forte meu couro cabeludo, conduziu-me a uma das cadeiras giratórias e cortou todas as pontas. Contou-me como ela só conseguia andar de salto altíssimo por causa das dores na coluna e também me informou sobre as muitas pontas nos meus cabelos. - Por isso é que seu cabelo parece leve... (essas coisas que a gente ouve em salão).
Entrei. Sentei. Lavou, esfregou muuuuitoooo forte meu couro cabeludo, conduziu-me a uma das cadeiras giratórias e cortou todas as pontas. Contou-me como ela só conseguia andar de salto altíssimo por causa das dores na coluna e também me informou sobre as muitas pontas nos meus cabelos. - Por isso é que seu cabelo parece leve... (essas coisas que a gente ouve em salão).
Paguei os 10 pilas, agradeci, ganhei um cartão de visitas com os fones fixo e celular:
- Ah, você é a Leninha?
- Eu mesma, proprietária do salão de beleza - disse como aquela personagem de novela.
Táí uma empresária de sucesso: dona do seu próprio negócio, mulher de meia-idade com roupas coladas num corpo sarado, salto altíssimo, cabelos longos, negros e pesados como os das gueixas. Oferece um corte de 10 minutos por 10 pilas. Como aqui é um calor danado ela provavelmente gasta menos com energia, pois não precisa usar água quente nem secador nem luz durante o dia. Nas horas vagas pode se refrescar no bar ao lado e, o mais importante, tem uma estratégia de marketing à moda Warhol: além dos serviços prestados no salão ela também aproveita essa baita auto-imagem para cativar a clientela.
- Ah, você é a Leninha?
- Eu mesma, proprietária do salão de beleza - disse como aquela personagem de novela.
Táí uma empresária de sucesso: dona do seu próprio negócio, mulher de meia-idade com roupas coladas num corpo sarado, salto altíssimo, cabelos longos, negros e pesados como os das gueixas. Oferece um corte de 10 minutos por 10 pilas. Como aqui é um calor danado ela provavelmente gasta menos com energia, pois não precisa usar água quente nem secador nem luz durante o dia. Nas horas vagas pode se refrescar no bar ao lado e, o mais importante, tem uma estratégia de marketing à moda Warhol: além dos serviços prestados no salão ela também aproveita essa baita auto-imagem para cativar a clientela.