"Os regimes democráticos também são vulneráveis às forças centrífugas dos conflitos étnicos. De fato, alguns governos são tentados a recorrer à autocracia como um meio de manter unido um Estado multiétnico. A diversidade étnica não é um problema em si mesmo. Os problemas surgem somente quando a identidade étnica é politizada; aí pode ser utilizada para provocar um comportamento insular, xenófobo e destrutivo. É possível que as guerras civis dos anos 90 não tenham começado como conflitos étnicos, porém a identidade étnica certamente veio para primeiro plano depois que esses conflitos foram iniciados. Há muitas maneiras de acomodar os interesses dos grupos étnicos, fazê-los coincidir com as necessidades de sistemas políticos e sociedades diferentes. Por exemplo, as estruturas federais podem atribuir autoridade considerável às assembléias estaduais ou provinciais. Os governos também podem escolher sistemas eleitorais que estimulem os partidos a dirigir-se aos eleitores de vários grupos étnicos. Ou então, podem aceitar o fato de que os cidadãos irão votar de acordo com divisões étnicas e formular um sistema que obrigue os partidos baseados em grupos étnicos a compartilharem o poder.
As reformas devem ter como objetivo enfraquecer a polarização e promover a moderação. Elas também devem fortalecer as instituições que não são construídas de acordo com as divisões étnicas, como sindicatos, as associações profissionais e outras organizações civis. Os governos devem evitar o "congelamento" das divisões étnicas e devem dar espaço a seus cidadãos para que mudem suas filiações ou expressem identidades múltiplas".
Fonte: p. 6 do resumo executivo - relatório do UNRISD para a CMDS+5/janeiro de 2002 - "Mãos Visíveis: assumindo responsabilidade pelo desenvolvimento social"
Imagem: meus priminhos - dezembro/2006