Terra do sol

 

"O reconhecimento que a criança empreende do seu mundo segue os mais inesperados rastros. Um mapeamento da cidade através dos aparentemente insignificantes acenos - a vertigem dos caleidoscópios de feira, o piscar das árvores de Natal ou a buzina do carrinho de sorvete - as sirenes das fábricas ou a algazarra das bolsas de valores. O que se ouve é o tinir da lâmpada de gás, o rufar da banda de música e o latido distante na rua. São esses sons - na delicadeza daquilo que é infinitamente pequeno, a que só uma criança prestaria atenção - que para Benjamin fazem soar o século XIX."



"A inesgotável imaginação do recém-chegado, atraído por tudo aquilo que nunca havia visto, lança mão de todos os recursos possíveis para construir sua cenografia.'


Textos: Nelson Brissac - Paisagens Urbanas, p.29

Imagem: ponto de ônibus perto do Campus da UFG aqui em Goiânia. Minha paisagem até agora se constitui dos seguintes sons: o carro do leitchê; o silêncio de São Judas às 07h da manhã; o motor barulhento do ônibus Praça da Bíblia/Conj. Itatiaia; o goianês com r puxado; pássaros que cantam todos os dias às 18h e às 6h na árvore que fica em frente à minha janela; o som da minha bicicleta a ranger; as risadas da minha vizinha Daniela; o barulho da Lisa brincando com coisas plásticas... e sigo assim, coletando sons e sins. Manoela Afonso, hoje/2006



Local: Goiânia - GO, Brasil