






"REFLETINDO SOBRE O PRAZER
Ruy Castro disse:
ainda mais legal do que unir o útil ao agradável,
é unir o agradável ao agradável. A exaltação do desfrute.
Chantal Thomas escreveu:
na sociedade moderna há muito lazer e pouco prazer.
Lazer e prazer são palavras que rimam e se assemelham no significado, mas não se substituem. É muito mais fácil conquistar o lazer do que o prazer. Lazer é assistir a um show, cuidar de um jardim, ouvir um cd, namorar, bater papo.
Lazer é tudo o que não é um dever. É uma desopilação.
Automaticamente, associamos isso com o prazer:
se não estamos trabalhando, estamos nos divertindo.
Simplista demais. Em primeiro lugar, podemos ter muito prazer trabalhando, é só redefinir o que é prazer.
O prazer não está em dedicar um tempo programado para o ócio. O prazer é residente. Está dentro de nós, na maneira como a gente se relaciona com o mundo.
Hoje é quase uma obrigação você consumir o que está em evidência. E se é uma obrigação, ainda que ligeiramente inconsciente, não é um prazer...
Calma. O prazer é mais baiano!
O prazer não está em ler uma revista, mas na sensação de estar aprendendo algo. Não está em ver o filme que ganhou o Oscar, mas na emoção que ele pode lhe trazer.
Está no silêncio, no espírito.
Está menos na mão única e mais na contramão.
O prazer está em SENTIR.
Uma obviedade que merece ser resgatada, antes que a gente comece a unir o útil com o últil, deixando o agradável pra lá."
Texto: Arquivo Pesquisa AgendArte - AgendArte 2005, p.362
Fotografias: abertura da ExpoMulher ontem, 10/12/05, aqui no Conic em Brasília