Os trechos abaixo citados foram extraídos do Jornal do MARGS, número 107, páginas 3 e 4, de maio de 2005, enviado carinhosamente pela amiga e gravadora Glaé Macalos.
ENQUETE: CURADOR
"Do latim curatore, segundo o dicionário Aurélio, este substantivo masculino designa as pessoas que têm, por incumbência legal ou judicial, a função de zelar por bens e interesses daqueles que por si só não podem fazê-lo".
"Um curador bem sucedido alcançará que as obras 'conversem' entre si, ou seja, ele estabelece uma espécie de partitura invisível que ordena o olhar e a sequência de reflexões do visitante-espectador, ao dispor as obras numa dinâmica, inesperada e sinergética, que despertará impactos emocionais e descobertas intelectuais."
(Alfredo Aquino - artista plástico e escritor)
"Nas Artes Visuais, o curador é a pessoa respnsável pela escolha dos artistas e das obras que integram uma exposição. A ele cabem as decisões mais importantes, desde a linha conceitual que deverá ser seguida, passando pela seleção das peças e pela forma como devem ser mostradas. (...) Quanto melhor for o seu trabalho, mais possibilidades de leitura a mostra poderá suscitar, o que colabora significativamente para a ampliação e qualificação do público consumidor de Artes visuais."
(Neiva Bohns - professora da UFPel)
"O curador interpreta os desígnios artísiticos da comunidade e formula a proposta que potencializa suas linhas de força. A arte antecipa aproximações, adivinha afinidades, refaz percursos. Regiões e religiões desconhecidas travam contato pela primeira vez. Cabe ao curador organizar a frente de atração. O fenômeno pode ocorrer seja em exposição monográfica, seja em mega-mostra. Quem projeta exposições deve levar em conta o desenvolvimento sensível dos visitantes sem nenhum entrave. O artista cria, o visitante frui, o curador efetua a ponte e o poder público ou privado subvenciona. Quando o artista subvenciona, o poder público ou privado frui, o curador cria e o visitante tem que fazer a ponte, tudo está errado."
(Nélson Aguilar, historiador e crítico de arte/Unicamp)
EM CONTRAPARTIDA, na página 6, Angelica de Moraes (jornalista cultural) faz uma crítica aos curadores britânicos da mostra de esculturas de Henry Moore realizada há pouco tempo na Pinacoteca/São Paulo:
"Isso de determinar percurso deixa de lado o essencial: arte é prazer de convívio e não aceitamos com agrado uma imposição, mesmo que bem intencionada pelo didatismo. Observar uma obra é muito mais do que uma simples questão de cronologia. É percurso pessoal na busca de nexos internos ao trabalho observado. É também a atenção posta no que isso ressoa dentro de você. Ordem unida é para desfile militar. A percepção artística está do lado de quem teima em afirmar a própria cadência de passos, mesmo que contrária à praticada por todos os demais. E nem é preciso relembrar a famosa frase de Mário Pedrosa, para quem 'a arte é o exercício experimental da liberdade'."
